Bem, esse dia (21/12/2009) acho que era um daqueles dias que eu não devia ter levantado da cama!
Fui trabalhar e não tava muito bem da garganta, já tava achando que não conseguiria, mas… Cheguei no trampo até que tentei mas não deu e a supervisão me autorizou a ir ao ambulatório da empresa (achei que resolveria), cheguei lá enfrentei uma fila básica até me chamarem (já tava ficando mais doente do que tava); uma moça me atendeu tossindo mais do que eu “pensei ixi!”. Bem, a mocinha nem olhou pra mim quando perguntou o que eu tinha e já foi logo dizendo: _ Vou te mandar para o Pronto Socorro; pensei nossa a coisa tá feia! Voltei pro trampo pra avisar e seguir para o hospital em busca do Servidor Público.
Hospital Beneficência Portuguesa
Bem, chegando próximo a estação do metrô vi a placa do Hospital Beneficência então pensei, há tenho o convênio da empresa, beleza e fui pra lá; chegando lá tudo muito bonito, muito limpo, muito chique, funcionários bonitos e bem educados, até o segurança atencioso simpático (pensei estranho, não tô acostumado com isso) e fui entrando. O rapaz da recepção estava atendendo umas velhinhas e me disse um momento por favor aí vagou a recepcionista ao lado; apresentei minha carterinha do convênio e ela emendou:
_ esse só se for funcionário do metrô ou nem me lembro o quê (porque fiquei atordoado), e ela completou:
_ Mas a consulta é R$ 127,00 (simpática); quase que eu disse: Só! Me vê duas… Tá bom que eu pagaria esse dinheiro todo pra alguém olhar na minha cara e dizer: É um resfriadozinho, logo passa!
Bem foi aí que eu entendi o que tava acontecendo, eu estava no lugar errado; malditos burgueses ô raiva. Meu, assim como todo mundo sonho em um dia ter dinheiro, mas acho que ficaria longe dessa raça; ser pobre ainda é mais emocionante e verdadeiro… assunto pra um outro post. Perguntei pra ela onde eu posso ser atendido, então ela indicou o hospital público.
Hospital do Servidor Público
Fui eu na caminhada debaixo do sol, ô sol infernal, odeio, lá na Europa caindo neve e eu assando aqui, pensei: Teria sido melhor ter ficado lá no trampo na sombra e ar condicionado, mas um assunto pra outra hora.
Cheguei no hospital já percebi a diferença de cara, paredes mal pintadas e móveis caindo aos pedaços, gente bonita? Esqueçam, todo mundo morrendo e funcionários de mau humor. Me aproximei do guichê e mostrei a carteirinha mais uma vez a senhora (olha a diferença) exclamou:
_ Você tem convênio?!
_ Mas aqui não atendemos…
e eu disse:
_ É mas esse e nada é a mesma coisa, é só pra dizer que tem para os trouxas dos empregados. Por falar nisso tinha uma outra senhora discutindo com uma atendente e ambas falando mal da empresa a qual eu trabalho. Pensei:
_ Aquele ambulatório do trampo também não serve de nada, acho que já me mandaram pra cá pra nunca mais eu ficar doente e trabalhar escravo (podem rir).
Bem a moça, opa, a senhora recolheu meus dados e disse é só esperar. Olhei e perguntei:
_ Alí?
e ela:
_ É.
Puta fila de gente esperando, mas vamos lá preciso pegar um atestado das horas para não ser descontado e quem sabe fico uns três dias em casa pensei.
Bem, sentei e até que não esperei muito, fiquei olhando aquelas pessoas alí com a mesma cara de indignação que eu… Logo me veio a cabeça… É ano que vem tem eleições e vão aparecer aquele monte de velhos decreptos prometendo um monte de coisa inclusive melhorar a saúde, que merda! É sempre assim e nunca muda não adianta em quem você vota de esquerda ou de direita, mas mesmo assim não voto nos malditos do PSDB (assunto para o ano que vem).
Aí escutei chamarem meu nome, opá! Fui entrar entrou uma mulher na minha frente não sei da onde saiu.
_ Você espera aí disse a médica.
Tá bom fazer o quê; não demorou entrei e todo esperançoso fui falando:
Estou com uma tosse a uma semana e meia e não passa, já tomei um frasco de xarope e nada, hoje eu estou perdendo a voz e não consigo atender no meu trabalho (nem merece ser mencionado pra eu não morrer de vergonha, ano que vem é outro ano), ela interrompeu:
_ Tem espirrado?
eu:
_ Não.
ela:
Ah tá deve ser uma alergia, tomes esse, esse e aquele…
Pensei: Tá bom! Aí ela preencheu um papeu do tempo que fiquei lá (uns 7 minutos na frente dela) e me entregou, eu disse:
Olha preciso de um atestado pelo menos das horas para o meu trabalho; nossa a mulher que já não tava bem humorada me respondeu rispida. Aí eu insisti novamente: Mas… Ela olha não vou lher dar um atestado por que você ficou aqui só esse tempo e bla, bla, bla e fiquei quieto e disse tá bom, “obrigado” (trouxa ainda agradece a mau educação).
Pensei: “Pra quê estudar tantos anos e só olhar na minha cara e dizer (acho que é uma alergia) isso até eu poderia deduzir”;
Pensei de novo: ” Que merda, seria melhor ter ficado lá no trampo mesmo”.
Resumo
A raiva foi tanta que eu passei, tanto com os burgueses quanto com os pobres que ambos se curam na base do “placebo” que eu pensei, vou comprar merda nenhuma de remédio e me curo sozinho, meu diagnóstico é só dar um tempo respousando, mas qualquer patrão bom ou ruim não entenderia isso. Dito e feito, hoje já estou melhor da minha tossizinha.
Alergia? Só se for do motel que eu dormir no sábado retrasado sem camisa no ar condicionado ou se for de tanto sereno que eu tomei no show do Velhas Virgens que eu fui sábado passado.
Gente louca, eu devia era encher a cara agora…
Lembrei que não acabou
Tinha que ir pra casa, aí meus amigos era horário de pico, o que isso significa? Metrô lotado e ônibus estrumbando!
Peguei o metrô linha azul sentido bairro pra voltar um pouco e pegar mais vazio ou tentar entrar srssrsrs, bem nessa eu já tava imaginando o que escrever aqui e acabei voltando de mais, minha tia Flor já teria dito “É meu fio, todo castigo pra corno é pouco”; bem, com muitas gatas no metrô eu só tinha a sorte de estar perto de alguém com o cc vencido; pensei: “Eu preciso mesmo é mudar de emprego”.
Voltei pra casa pela linha azul e depois a vermelha espremido chegando na estação filas e mais filas para pegar o ônibus, resolvi ir andando assim eu não me estresso mais… Esse post deveria se chamar “Meu dia de cão”.
Aí pra terminar pensei comigo o que eu sempre digo pra mim ou para os outros:
_ Amanhã é outro dia!